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CONSCIÊNCIA NEGRA, MAIS QUE UMA DATA, UMA REFLEXÃO

Uma das maiores e mais graves feridas que ainda hoje agride nossa convivência foi o período da escravidão no Brasil. As dores física e moral não desapareceram com a assinatura da Lei Áurea, em 1888. O fim legal da escravidão não significou o estabelecimento da igualdade no nosso país. Essa ruptura não foi acompanhada de políticas públicas e de mudanças estruturais para a inclusão dos trabalhadores negros. Passados 130 anos, os escravos modernos carregam as heranças de nosso passado. A população negra é mais pobre, com menos grau de instrução e menos acesso ao trabalho, à educação, à saúde, e está mais exposta à mortalidade por causas externas, especialmente homicídios. A abolição não rompeu todas as correntes.    E apesar dessa situação inadmissível, há parlamentares e até o novo presidente eleito trabalhando para aumentar a letalidade entre a juventude negra, com projetos de redução da maioridade penal e a diminuição do rigor para o porte de armas, afrouxando as regras previstas pelo Estatuto do Desarmamento. Eles têm o apoio daqueles que acreditam no mito da democracia racial e acham que a única solução para a violência urbana é encher as ruas de polícia. Neste país, todo negro é um sobrevivente. Sobrevivente a toda sorte de adversidade, ao descaso, à violência, à miséria, às doenças, às piores condições de trabalho, aos piores salários, à falta de assistência, à discriminação. Sobreviventes da escravidão, do massacre da nossa cultura, das humilhações históricas e cotidianas. Por isso, precisamos do mês da Consciência Negra para que todos os brasileiros e brasileiras possam pensar no país que querem construir. Precisamos de um dia especial para simplesmente celebrar o orgulho do povo negro, o orgulho de ter sobrevivido.

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