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DIREITOS HUMANOS - O QUE NÓS TEMOS COM ISSO?

DIREITOS HUMANOS O QUE NÓS TEMOS COM ISSO?     No dia 10 de dezembro comemoramos o Dia Mundial dos Direitos Humanos. E o que nós temos com isso? Absolutamente tudo. Quando reclamamos da intolerância religiosa, estamos dizendo que nosso direito humano de liberdade de crença está sendo vilipendio. Quando exigimos respeito às nossas crenças, estamos exigindo respeito aos direitos humanos. E como essa noção ampla
e irrestrita se iniciou?
   Os países fundadores das Nações Unidas reagiram às violações dos direitos humanos que precederam a 2.ª Guerra Mundial e às atrocidades reveladas à medida que esta guerra se aproximava do fim, bem como reagiram aos totalitarismos que assolaram a própria Europa. Assim, entre as primeiras tarefas da Organização figurava a redação de uma Declaração Universal dos Direitos do Homem, na convicção de que tal fato constituiria um grande passo na busca pela paz mundial.    Após um intenso trabalho e alguns incidentes de percurso, a Declaração acabou por ser aprovada, em Paris, no dia 10 de Dezembro de 1948, pela Assembleia Geral da ONU, com 48 votos a favor (sem votos contra) e 8 abstenções, por razões diversas: a África do Sul, alegando que a Declaração não devia conter direitos econômicos e sociais; a Arábia Saudita devido à consagração da liberdade religiosa; os países de leste (Bielorrússia, Jugoslávia, Checoslováquia, Polónia, Ucrânia e URSS) por não se preverem nela medidas concretas que cada Estado devia tomar para assegurar o respeito dos direitos proclamados e por desconhecer a soberania dos Estados, favorecendo, desta forma, a ingerência dos assuntos internos.    Independente do seu valor jurídico, a Declaração desempenha um papel histórico de relevo, de modo que, atualmente, os governos, partidos políticos, associações cívicas, igrejas, grupos de interesses, entidades culturais, personalidades e cidadãos, em todos os cantos do mundo, independentemente de opções ideológicas, respeitam-na e invocam-na. Foi a partir dela que se começou a impor a ideia de que o tratamento dos cidadãos não é um assunto interno de cada Estado. Mas sim uma questão que interessa a toda a comunidade internacional.    Defender os direitos humanos no século XXI significa, acima de tudo, denunciar os crimes mais secretos e ousar falar disso com total objetividade e independência exige coragem e, por vezes, até heroísmo. No Brasil,  uma onda conservadora que assola o país incentiva de maneira institucional o desrespeito aos direitos humanos gerando um aumento flagrante da violência, do racismo, do extremismo, da xenofobia, da descriminação, da LGBTfobia, da intolerância religiosa em relação às religiões afro-brasileiras, dentre muitas outras formas de ódio.   Como bem disse o jornalista Leonardo Sakamoto, “direitos humanos dizem respeito também à garantia de não ser assaltado e morto, de professar a religião que quiser, de abrir um negócio, de ter uma moradia, de não  de fome, de poder votar e ser votado, de não ser escravizado, de poder pensar e falar livremente, de não ser preso e morto arbitrariamente pelo Estado, de não ser molestado por sua orientação sexual, identidade, origem ou cor de pele. Mas devido à deformação provocada por políticos escandalosos, líderes espirituais duvidosos e formadores de opinião ruidosos, a população acha que direitos humanos dizem respeito apenas a "direito de bandido", esquecendo que o mínimo de dignidade e liberdade do qual desfrutam estão neles previstos. E, neste domingo (10), quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 69 anos de sua adoção pela Assembleia Geral das Nações Unidas, houve quem gritasse contra os direitos humanos. E pediu a volta da ditadura. Gostaria de dar parabéns aos desinformados, mas também aos que veem tudo de mais sombrio acontecer ao seu redor, neste tempo difícil em que vivemos, mas preferem ficar na ignorância quentinha de sua bolha na rede social porque pensam que o mundo lá fora é a barbárie. Afinal, a ignorância coletiva precisa, para se reproduzir, do silêncio dos que têm consciência, mas não falam". "O silêncio é sentença de morte dos direitos humanos"  

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